Parte 14
O dia se despede chuvoso, o
céu acinzentado combina com o ar triste de Alice, que convencida por Jess esta
agora sentada em um barzinho no bairro nobre de sua cidade.
-Mais uma noite mal dormida.
Diz Alice
-O que esta acontecendo com
você amiga? Só anda mal humorada, sai de mim. Sorri Jess sempre muito bem
humorada
-Não sei, sinto que John
esta me fazendo de palhaça novamente e não consigo tirar um homem casado, porem
maravilhoso de meus pensamentos.
-Quem?
-Marcos! Diz Alice
completamente arrependida
Nunca havia dito nada a
ninguém, pois ela mesma não aprovava esse sentimento.
-E quem é Marcos?
-Apenas um carinha que eu
conheci no trabalho, só isso! Diz ela tentando disfarçar e mudar de assunto.
Já se sentia horrível de
mais por gostar de um homem casado, preferia que ficasse apenas com ela essa
vivencia ou talvez só na sua imaginação. Jess estava mais envolvida com o
gatinho a frente que a chamará para dançar do que em ouvir a amiga naquele
momento, para sua alegria.
-Já volto amiga, vê se para
de choramingar, John não presta. Diz Jess aumentando a voz ao se afastar.
Alice continua sentada
pensando nas palavras de Jess. “Jonh não presta”. Mas ele estava
tão romântico, tão diferente ultimamente. Ao pensar nisso percebe que esta mais
um final de semana sozinha e ele como sempre com o telefone na caixa posta,
naquele momento tentou ligar novamente, enquanto ouvia mais uma vez sua voz na
caixa postal.
Perdida com o olhar e prestando atenção na caixa postal, Alice ficou
branca, mais branca que o comum, sem tirar os olhos da mesa a frente avistou
John e sua "ex-namorada", sentados, rindo como se nada tivesse acontecido.
Não
sabia o que fazer, mas não podia deixar isso barato, então eram esses os trabalhinhos aos finais de semana, olhou para a
aliança e se levantou. Caminhou em sua direção, já muito perto podia ouvir suas
piadas, que agora já não tinha tanta graça, não sabia exatamente o que iria
fazer, mas precisava agir deixar de ser boba.
Quando Alice já estava próxima da
mesa, John virou a cabeça lentamente como se sentisse que algo estava vindo a
sua direção, ela foi se arrepiando enquanto a raiva vista em seus olhos
ficava cada vez mais forte. Quando por fim estava perto de mais para voltar, se
inclinou até o ouvido de Nicole sem tirar o foco dos olhos desesperados de
John, dizendo baixinho:
-Eu também acreditava nele,
mas vou te dizer uma coisa, até as minhas fantasias são mais reais.
Aproveitou a volta que
Nicole fez com a cadeira para abrir sua mão e depositar ali a aliança que havia
ganhado de John, ao fazer isso notou que ela também possuía uma e que ele
estava com a mesma. Apenas olhou de volta ao seu dedo agora já sem o
anel e fixou novamente os olhos de John que não conseguia dizer mais nada.
-Essa foi a ultima vez que
mentiu pra mim, e se essa moça tiver o mínimo de dignidade é a ultima vez que
mente a ela também.
Espero que sejam felizes.
Ao se virar para a porta de
entrada ainda ouviu o tapa que Nicole depositou no rosto de John e naturalmente
um leve sorriso se lançou em seu rosto. Ela com certeza não teria duvida, a
data na aliança era recente e o nome dele gravado nela também não deixaria
duvidas.
Alice não estava triste,
talvez magoa seria a melhor palavra para definir seu estado nesse momento, seus
instintos lhe diziam que ele estava aprontando, mas ao mesmo tempo John era sua
única distração.
Andando em passos apressados
a procura do primeiro táxi se surpreendo com um carro parando a sua frente, seu
corpo gelou, conhecia essa carro, já andará nele, antes mesmo de dar um passo
para trás a porta se abriu e olhos azuis apareceram para salva-la.
-Eu vi a cena a pouco, me
deixe ajudá-la?
-Não preciso de ajuda, quero
apenas a minha casa, desculpe! Respondeu Alice ao se virar rapidamente e
continuar sua busca pelo táxi.
Marcos não desistiu facilmente e resolve acompanhá-la
com o carro.
-Então irei atrás, já que não
posso ter o prazer de estar aqui, sentada ao meu lado.
-Não precisa, já disse.
-Eu sei, só quero garantir
que nenhum tarado abuse de você. Diz Marcos soltando um sorriso pequeno nos
lábios
-Porque esta aqui? De onde
surgiu?
-Eu estava te admirando a
noite toda, vim com uns amigos, não curto muito esse tipo de lugar, mas eles
dizem que preciso fazer isso algumas vezes na semana e eu simplesmente obedeço.
Risos
-Há.
Alice abraça o corpo e
começa a sentir a neblina da noite descer e a adrenalina da cena a pouco diminuir deixando-a novamente frente à realidade.
-Você prefere o frio a minha
presença, desculpe-me pelo beijo, prometo que não repetirei, a não ser que me
peça. Risos
Alice parou, pensou e
reconheceu, eram duas horas da manhã, não encontraria um táxi tão cedo e a
caminhada até a sua casa era longa.
-Ok, você venceu.
A porta do carro se abriu e
o frio acabou antes mesmo de Alice se acomodar no banco, sua pela ardia de
calor, sua saliva aumentava ligeiramente e seu corpo tremia como se ainda
estivesse no frio lá fora, mas estava quente agora.
Alice preferia não olhar para Marcos, sabia que
provavelmente ficaria hipnotizada como sempre e não estava a fim de passar
novamente por boba. Assim que o carro deu partida se ouviu uma voz baixa que
temia sair, mas era impossível de segurar.
-Podemos ir para algum
lugar?
-Para onde?
-Não sei, quero apenas
conversar, não estrague sua noite por causa daquele idiota! Um riso se ouviu
Alice
resolveu encarar aqueles olhos, ele a encantava de uma forma maravilhosa, olhou
rapidamente para seu dedo e notou novamente que ali havia a aliança, aquela
aliança, um compromisso do qual ela não queria ser a má, a mulher que
desvirtuou um homem de sua família, porem logo após voltar seu rosto para os
olhos de Marcos notou que agora sua testa estava franzida e olhar triste, antes
de dizer qualquer coisa ela ouviu um voz baixinha, quase não notável, mas a
boca dele estava se mexendo e como não entender aquilo, era tudo o que eu
precisava ouvir.
-Vamos conversar sobre isso
também, entendo o seu lado, não esta acabando com uma família, infelizmente
essa família não existe mais.
Essas palavras soaram como
vento, um vento forte, mas quase impossível de ser notado. Ela apenas balançou
a cabeça afirmando a mudança de rumo do carro, estava realmente incomodada com
tudo aquilo, precisava de mais, muito mais.
O clima estava um pouco
tenso, ninguém dizia nada, quase não se respirava e Alice ficou aliviada quando
o carro parou na frente de um barzinho tranqüilo que ela já havia frequentado com
alguns amigos e famílias.
Marcos saiu do carro rapidamente e logo a porta do
carona estava aberta, em poucos minutos estavam sentados em um sofá, perto o
suficiente para sentirem o cheiro bom que exilava um do outro, perto demais para sentir corpos quentes e errados por estarem ali, apenas em busca
de conversa.
Marcos a envolveu com um dos braços fez um gesto leve com as mãos levantando-a até sua face, e começando acariciá-la, devagar, como se
não estivesse na presença de uma mulher há muito tempo, como se ela fosse única
e nada mais existisse.
Alice fechou os olhos para curtir aquele momento, estava
tão tensa, tão envolvida que adormeceu, ali mesmo, na frente dele, sentindo seu
cheiro, em meio do barulho do bar.
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